terça-feira, 9 de agosto de 2011

Deixe-me Ser

Deixe o meu futuro incerto, por favor.
Deixe eu caminhar no mundo, aonde for.
Deixe eu sentir a brisa,
o luar,
a noite sem me agendar.
Quero olhar as estrelas, ou o mar, olhar a cidade inteira
e escolher se vou caminhar na rua ou
‘baladear’.

Se vou sentir um beijo doce ou sozinha estar.
Só me deixe não ter nada para fazer.
Me deixe em paz,
me deixe escolher se quero ser livre ou me prender.

E isso só eu posso decidir:
ver se quero acordar para o outono ou se prefiro dormir durante o verão,
quando a vida toda alegre brinca em vão
ou prepara para tornar-se uma canção.

Deixe que eu decida o que vou fazer:
se amar para sempre ou viver em paz.
Se sentir o cheiro do amanhecer
ou a saudade que a noite me traz.
Deixe minha autenticidade florescer,
você foi um sonho bom mas acordei.
Como não se sonha o mesmo sonho,
deixe que eu vou viver.

Vago

Das lembranças,
dores incolores por rascunhos turvos de ensaios seus.
Em meus lábios gastos de motivos não aconteceu.

Uma vida em sonho
que não compreendestes,
não compreendi,
ninguém compreendeu.
Das lembranças sóbrias
não resta mais nada
além de minhas lágrimas
que não molham seu eu.

Saudade de Um Certo Alguém

Onde estará seu ser?
Da Liberdade para o desconhecido.
A saudade que o tempo não curou,
a distância que a vida não levou.
Saudade do tempo que não voltou.
Seu olhar nunca me deixou,
sua voz jamais se calou.
E mesmo assim você se foi.
Minhas ruas não possuem mais seus passos,
por todos esses anos senti falta de seus beijos e abraços.

Tantas

Por caminhos paralelos
tanto tempo eu andei.
Tantas raras oportunidades de encontrá-la
e não encontrei...
... derramando minha atenção a atenções vãs.
Tanto tempo ali presente
que em futuro eu transformei.
Tanta coisa para contar agora e nem sei por onde começar.
Tanto lugar para encontrar,
te conhecer sem nada saber.
Tantas perguntas,
tantas respostas,
tantos dias para uma nova vida construir.

sábado, 6 de agosto de 2011

TUA AUSÊNCIA

Tua ausência me parece a morte.
A morte que chega da pior forma.
A que não avisa quando vai chegar: não dá sinal de doença, somente chega.

Minha alma vazia, perdida,
não sabe para aonde correr.
Socorros não mais adianta pedir.

Sua despedida causou-me a dor da morte.

Em meu corçaão deixastes um corte,
a agulha do Tempo passou para costurar
e somente o Tempo para amenizar, não curar, somente amenizar.
Seu preenchimento me deixou vazia,
fez-me ser vadia pela avida afora.
Sou personagem de um certo amor nos tempos do cólera.

Tua ausência inteira deixou-me à mercê de passos de nada a caminho algum.

Tua ausência fez-me ser personagem vazio dum palco sem público.

Caminho seguindo ideal nenhum
lembrando de tempos das saudosas ruas
que agora nuas são de meu passado.

Meus pés arrastados por um conformismo
que necessitei aceitar
pois não tinha mais jeito;
não vi seu aviso, não dá pra voltar.

Do inesquecível agora resta te esquecer
e do impossível ganhei a ausência em lhe ter.

De meu horizonte
não mais vejo um anjo que sorriu para mim.
Coloco minha máscara e digo que estou melhor assim.
Mas as linhas da minha vida
é que sabem e tomam conta de meu coração,
que bate sem rumo,
acelera perdido como um andarilho que nao quer chegar.

Viro um quadro oco dum bonito tosco
que não brilha mais.
Palco de alegria
do passado que um dia
a vida não traz mais.

Parece mentira,
durmo com a ilusão e acordo com a verdade em meu coração:
realidade é outra: surpresas da vida são fatos irreais.

VI

Vi casas sendo reformadas
e gente andando em meio ao trânsito.
A música corria alta em meus ouvidos
e o sol brincava em nossa selva de pedra
que a cada dia mais pedra de selva, de selva empedrada, é.

O caos da manhã,
o mundo acordando,
o sol raiando tarde.

Vi mais um dia do universo em movimento
e um gato na janela de um terceiro andar
brincando com um pássaro na liberdade desta cidade
que me faz prisioneira de sua morada.

Vi poemas em cada pedaço desta cidade
com incidentes e acidentes de sua velha idade
nos túneis do tempo das ruas de sua eterna mocidade.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Corpos Mortos

Eram tardes confusas em minha solidão.
Eram seus olhos perdidos desbravando um mundo de nada.
Era seu riso preciso machucando o coração duma alma insana, estranha, desbravado.
Meu corpo pedia por sua alma inteira.
Meu corpo pedia por sua vida migalhada.
Meu corpo era toda vida despedida de um mundo negro,
vívido, frio e tenso dentro da madrugada.
Era seu hálito suspirando em minha boca
que desejava sua língua, sua vida, seu sangue turvo.
Era a noite em cantos longes, atitudes esplendidas da dor que a mim concedeu desde o primeiro beijo.
De toda trajetória que vivi sozinha,
de toda historia que construí um dia,
de todo seu gozo que fiz em nossos dias,
crescia-me o tormento de nossa solidão.
Eram os olhos brandos,
o sorriso cândido
da ingenuidade infeliz de outrora.
Corpos insanos, sofrimentos languidos,
por seu labirinto a mim concedido,
como se concede a um infeliz maldito o cárcere eterno
de seu amor macabro.